13 de setembro de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  729

O  DÉFICIT  FISCAL (II)

NÃO É BEM COMO DIZEM (II)...


Tenho esperanças de  que o artigo anterior sobre este assunto (Ed728) possa ter deixado bem claro como,  para resolver  nosso desequilíbrio fiscal no curto prazo, a solução imediata seria a redução dos juros básicos (SELIC) aliviando os bilhões necessários para zerar o déficit (pelo menos) e ganhando tempo para estudar e propor as  reformas necessárias para conter nosso maior problema: o custeio do Estado.

A meu ver, é um caso de constatação e não de discussão,  pois o serviço da dívida monta a quase R$ 1 trilhão por ano,  pouco menos de 50% de todos os desembolsos.

O orçamento dos Ministérios com pessoal etc. mal alcança 20% de todos os desembolsos e mesmo um corte corajoso não traria maiores ajudas materiais,  ainda que o efeito psicológico seja importante para a credibilidade de todo um programa.

Ao contrário, o alegado efeito psicológico dos juros altos na demanda interna é nenhum,  pois quem consome já paga juros muito acima da SELIC e mais, nossa atual inflação decorre de preços administrados pelo Governo ou afetados pelas trapalhadas oficiais,  como é o caso da energia elétrica.   Somente a cantilena falsa repetida pela mídia,  a serviço das instituições financeiras,  é que sustenta essa eterna vigarice de juros altos para controlar a inflação.

Estamos em recessão, tantas foram essas trapalhadas oficiais, desperdiçando recursos em populismo demagógico e favorecendo grupos amigos,  como estamos conhecendo 

a cada dia, mesmo considerando iniciativas que até agora ainda possuem carimbo de legalidade.

A sociedade precisa participar num grande esforço para exigir,  com as instituições que dispomos, à falta de outras, a proposição e implantação de reformas, basicamente visando maneiras mais decisivas de limitar o crescimento do custo do Estado e de seu efeito imediato, o aumento da carga tributária.

O progresso já obtido não foi o suficiente,  como demonstra a atual crise.   A Lei de Responsabilidade Fiscal,  por exemplo, vem sendo facilmente driblada em todos os níveis, federal, estadual e municipal,  com pouca repressão que sirva ao menos de exemplo.

As garantias constitucionais de direitos humanos estão servindo de trincheira para os ladrões e os incompetentes,  com a ajuda de um Judiciário esclerosado e um Legislativo acumpliciado.

Como explicar que mesmo numa empresa de capital aberto como a Petrobrás, bilhões possam ter sido desviados, sem que seus responsáveis superiores,  mais fiscais de todas as espécies e níveis e mesmo seus milhares de acionistas não percebessem,  estando ela sempre num dos mais altos graus de exposição ?

Então,  há muita coisa errada e corrigir tudo isso demanda,  além de vontade inquebrantável, clareza de foco  e bastante tempo.

Por isso,  antes que tudo piore,  precisamos desse tempo, de uma pausa, o que não pode ser conseguido sem reverter o buraco no caixa e a recessão,  para começo de conversa.

A redução da SELIC atende a ambos os objetivos e pode dar a partida...