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NÃO
É BEM COMO DIZEM (II)...
Tenho esperanças
de que o artigo anterior sobre este assunto (Ed728)
possa ter deixado bem claro como, para resolver nosso
desequilíbrio fiscal no curto prazo, a solução imediata seria a
redução dos juros básicos (SELIC) aliviando os bilhões necessários
para zerar o déficit (pelo menos) e ganhando tempo para estudar e
propor as reformas necessárias para conter nosso maior
problema: o custeio do Estado.
A meu ver, é um caso de constatação e não de discussão,
pois o serviço da dívida monta a quase R$ 1 trilhão por ano,
pouco menos de 50% de todos os desembolsos.
O orçamento dos Ministérios com pessoal etc. mal alcança 20% de
todos os desembolsos e mesmo um corte corajoso não traria maiores
ajudas materiais, ainda que o efeito psicológico seja
importante para a credibilidade de todo um programa.
Ao contrário, o alegado efeito psicológico dos juros altos na
demanda interna é nenhum, pois quem consome já paga juros
muito acima da SELIC e mais, nossa atual inflação decorre de preços
administrados pelo Governo ou afetados pelas trapalhadas oficiais,
como é o caso da energia elétrica. Somente a cantilena
falsa repetida pela mídia, a serviço das instituições
financeiras, é que sustenta essa eterna vigarice de juros
altos para controlar a inflação.
Estamos em recessão, tantas foram essas trapalhadas oficiais,
desperdiçando recursos em populismo demagógico e favorecendo
grupos amigos, como estamos conhecendo |
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a
cada dia, mesmo considerando iniciativas que até agora ainda
possuem carimbo de legalidade.
A sociedade precisa participar num grande esforço para exigir,
com as instituições que dispomos, à falta de outras, a proposição
e implantação de reformas, basicamente visando maneiras mais
decisivas de limitar o crescimento do custo do Estado e de seu
efeito imediato, o aumento da carga tributária.
O progresso já obtido não foi o suficiente, como demonstra a
atual crise. A Lei de Responsabilidade Fiscal, por
exemplo, vem sendo facilmente driblada em todos os níveis, federal,
estadual e municipal, com pouca repressão que sirva ao menos
de exemplo.
As garantias constitucionais de direitos humanos estão servindo de
trincheira para os ladrões e os incompetentes, com a ajuda de
um Judiciário esclerosado e um Legislativo acumpliciado.
Como explicar que mesmo numa empresa de capital aberto como a
Petrobrás, bilhões possam ter sido desviados, sem que seus responsáveis
superiores, mais fiscais de todas as espécies e níveis e
mesmo seus milhares de acionistas não percebessem, estando
ela sempre num dos mais altos graus de exposição ?
Então, há muita coisa errada e corrigir tudo isso demanda,
além de vontade inquebrantável, clareza de foco e bastante
tempo.
Por isso, antes que tudo piore, precisamos desse tempo,
de uma pausa, o que não pode ser conseguido sem reverter o buraco
no caixa e a recessão, para começo de conversa.
A redução da SELIC atende a ambos os objetivos e pode dar a
partida...
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