6 de setembro de 2015

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2015

Volume 15  Edição  728

O  DÉFICIT  FISCAL


Ao lado, o gráfico em pizza mostra a execução do Orçamento Federal em 2014,  num total de R$ 2,168 trilhões, ou seja,   cerca de 39% do PIB do mesmo ano, que chegou em moeda corrente a R$ 5,520 trilhões.   A dívida interna teve seu teto elevado para R$ 2,8 trilhões e anda em torno dos R$ 2,6 trilhões.

NÃO É BEM COMO DIZEM...


O gráfico acima mostra claramente como o (necessário) debate sobre o Orçamento para 2016 está completamente fora da nossa realidade fiscal: não por ter, ineditamente, sido proposto com um pequeno déficit de R$ 30 bilhões, mas por fugir à verdadeira essência da discussão,  que é o serviço da dívida, abrangendo 45% do total dos desembolsos (no gráfico, quase R$ 1 trilhão em juros e amortizações).

Apenas 1% a menos na SELIC representa R$ 26 bilhões,  quase o valor do déficit calculado e,  como tenho cansado de assinalar, altas taxas não têm qualquer efeito no combate à inflação no Brasil,  quando os gastos oficiais são desmesurados e ineficientes e preços administrados (e não demanda) são a causa principal dos aumentos de preços.

Não se pode negar que os desregramentos do Estado causam desconfiança e esta 

implica em se pagar juros mais caros, mas o grande tomador de empréstimos das poupanças por aqui é o próprio Estado,  não há muitas alternativas e há mais demanda por aplicações que oferta, deixando  os juros mais para a vontade do tomador.  Além disso, a liquidez mundial deixa os juros baixos em todo o mundo, mesmo na Grécia, por exemplo (2,5% a.a.)...

A raiz mesmo dos nosso recordes nos juros está vinculada ao nosso passado inflacionário, além da pouca confiabilidade dos Governos.

De pouco adiantam os nunca concretizados cortes de custos no custeio da máquina, que soma uns 19% dos desembolsos, e mesmo nos preciosos investimentos (5%) e até na Previdência (21%),  sem que se faça regredir (um pouco...) o serviço da dívida.

A tarefa é bem mais simples do que se anuncia como uma perigosa crise,  resta combinar com os bancos...Um projeto gradual para a dívida nesse sentido, alicerçado em pequenas reformas administrativas e tributárias, seria o suficiente.