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Volume 18  Edição 845   21 de outubro de 2018

FANG  vs  BANG

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Um dilema do momento

Sempre inventando novidades,  Wall Street criou este ano um debate intenso sobre a possível sobrevida do boom de  quatro grandes do setor tecnológico, FacebooK,  Amazon, Netflix e Google,  as chamadas FANG stocks (usando as iniciais...).a rigor representantes de todo o setor. Mais tradicionais, Apple e Microsoft não integram especificamente o grupo (talvez pela sonoridade do   apelido do grupo...), mas certamente estão nele de modo virtual.

De 2012 para cá,  como mostra o gráfico acima, a alta do grupo foi espetacular,  cerca de 250%, o que lhe dá destaque na alta geral do mercado americano que,  neste impulso,  já dura uns nove anos.  A maioria dessas empresas existe no máximo há menos de trinta anos.

Pequenas variações mercadológicas,  o aparecimento de novas tecnologias e até mesmo problemas de regulação em todo o mundo, além da própria extensão da alta,  estão provocando temores entre os analistas sobre o futuro do setor e de suas grande empresas.

Ao fundo,  além dos naturais temores técnicos em relação a longas tendências,  estão as lembranças do primeiro grande boom da informática, encerrado no começo deste século XXI,  com bastante traumatismo.

 

De modo geral, os gigantes do setor,  como as FANG Stocks, têm demonstrado enorme vitalidade e resiliência, absorvendo as evoluções da tecnologia via aquisições,  quando suas fontes próprias de pesquisa e desenvolvimento já não abrem novos caminhos.

Entretanto, a complexa realidade geopolítica do mundo,  cada vez mais se envolvendo em querelas comerciais,  em pleitos nacionalistas e protecionistas, assusta os analistas quanto a uma evolução segura para os negócios das grandes multinacionais,  como é o caso das FANG.

A alternativa alvitrada,  num interessante lance mercadológico,  são as BANG Stocks, grandes companhias mineradoras de ouro (Barrick, Agrico Eagle, Newmont Mining e Goldcorp), basicamente em baixa no período de 2012 para cá e nos últimos meses ensaiando um bom repique.

É claro que a estratégia proposta de trocar FANG por BANG é muito sonora, mas a recomendação se baseia numa visão não muito otimista quanto à conjuntura mundial, ainda mais que o ouro não conta mais com a confiança que já teve como um seguro eficiente para tempos adversos...