16 de setembro de 2018

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2018

Volume 18  Edição  840

A  DESIGUALDADE  DE  RENDA

O verdadeiro dilema


Estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas foi um dos assuntos da semana ao     anunciar que desde o final de 2014 até o fim de 2017, o aumento da pobreza foi de 33%,  passando de 8,38% da população brasileira para 11,18%.  O resultado só não seria pior do que o da  época do Plano Cruzado,  entre 1986 e 1988,  quando a pobreza cresceu 75%.

A FGV utiliza o termo "pobre" para quem ganha abaixo de R$ 233 por mês,  valor inferior ao necessário para comprar UMA cesta básica...

Esse critério de classificação é arbitrariamente baixo,  como se vê e é adotado pela maioria dos estudos que têm sido divulgados, servindo de argumento para os que tentam elogiar governos populistas que teriam conseguido tirar da miséria (dessa miséria...) parcelas substanciais do povo, o que certamente ocorreu somente nessa história de ficção,  onde quem ganha R$ 234 por mês já não é mais pobre e miserável...

O estudo em questão aponta como principal motivo para a miséria a recessão reinante no país, provocada pelos mesmos governantes aos quais sucessos no combate à miséria tinham sido atribuidos, e sugere, de maneira vaga, uma conexão entre a agenda econômica e a social para se combater o aumento da pobreza.

Ainda que seja um efeito e não uma causa, o aumento da desigualdade também teria colaborado para piorar o quadro, conclui a FGV.

Coincidentemente, provoca um debate internacional o livro "The Great Leveler" ("O Grande Nivelador"), de Walter Scheidel, professor da Stanford University, que afirma que,  ao longo da história, a desigualdade econômica só tem sido retificada por um dos "Quatro Cavaleiros do Nivelamento": guerra, revolução, colapso do Estado e peste.

O professor acha que existem arranjos sociais que reduzem a desigualdade ou a compensam de alguma forma (o moderno Estado de bem estar ou welfare),   mas considera que há limites para isso, um nivelamento substancial dependeria realmente de um choque no sistema.

Entretanto,  dando a evolução chinesa das últimas décadas como exemplo, considera que o rápido crescimento econômico na verdade aumenta em muito a desigualdade e afirma que o capitalismo é ótimo em reduzir a pobreza, mas ao mesmo tempo, continua a fazer os ricos mais ricos.

Firme na sua convicção de que a igualdade depende   de um dos Quatro vetores violentos  acima mencionados,  conclui Scheidel, políticas de reformas  pacíficas podem trazer melhorias, mas não resolverão.  Assim, deveriamos ser cuidadosos com nossas aspirações de um mundo mais igualitário.

Por aqui, como ainda estamos muito atrás no desenvolvimento econômico e social,   nossas aspirações se limitam a almejar um Estado mais  eficiente que abra mais oportunidades para os desprovidos,  adicionando mais mobilidade entre as classes da nossa sociedade.