VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

7  de março  de 2010

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2010

Volume 10  Edição 476   

ROBOTS  TOMAM  CONTA  DO  MERCADO  ?

O mercado está diferente ou não ?

O crescente espaço que os mercados ocupam na mídia,  moendo e remoendo fatos, cifras e eventos de todas as partes do mundo,  tudo isso fruto da globalização e da revolução das comunicações e da informática, mudou bastante a maneira como as pessoas enxergam a realidade desses mercados,  uma vez que passaram a conviver com a conjuntura mundial,  muito mais do que com a conjuntura brasileira:  nossos "técnicos" gastam mais tempo revelando o que eles acham que o Fed deveria fazer ou como poderia ser salva a Grécia,  do que efetivamente analisando aspectos locais.   

 

Agora mesmo,  vai terminando a temporada de resultados  anuais,  está por se iniciar a campanha eleitoral...e nossos sábios estão completamente alheios...


Os blogs e fóruns refletem a mesma a situação:  comenta-se e discute-se apenas a agenda internacional do dia.


Há quem considere que tudo isso decorre da supremacia das carteiras estrangeiras sobre o nosso mercado,  operadas por corretoras internacionais ou mesmo nacionais num suspeitíssimo e frenético giro de lotes,  que teriam por motivação, então, o noticiário externo (há quem jure que uma parcela substancial, na verdade,  obedece apenas a sofisticados esquemas com finalidades fiscais...).


A última novidade no bestialógico sobre os mercados,  está vindo de fora também: as  operações de "program trading", igualmente conhecidas como operações robot,  operações de alta frequência e etc., teriam assumido mais de 50% do volume diário da NYSE,  a grande Bolsa de New York, no segundo semestre de 2009 e estariam ainda crescendo.   A denominação é ampla, pois engloba diversos tipos de operações,  realizadas diretamente por computadores .

Nessa lista,  estão desde as mais simples ordens de compra e de venda com limite,  até modelos muito sofisticados em que a máquina interpreta informações variadas, do noticiário ou do próprio mercado, para tomar decisões operacionais,  sempre com maior velocidade e menor comprometimento emocional do que faria um ser humano...


O mecanismo já chegou ao Brasil e é reconhecido pelos que acompanham os pregões online pela colocação e retirada frenética de ofertas em muitos papéis.


Há pouco tempo,  surgiu inclusive um debate sobre o privilégio que constituiria o conhecimento de detalhes desses programas operacionais:  isso possibilitaria ao insider, antecipar-se a tais operações e mesmo a faculdade de "enganar o robot",  criando artificialmente condições de mercado que levassem um desses programas a comprar ou vender automaticamente...e aproveitando-se disso...


O debate é muito amplo e ainda não levou a lugar nenhum,  havendo a impressão que as autoridades ainda estão um pouco cruas no assunto.   Para variar,  somente teremos debate mesmo quando    acontecer algum escândalo operacional relevante...


Outro reflexo da matéria é a teoria de alguns comentaristas, que culpa os robots pela excessiva volatilidade de curtíssimo prazo que vem reinando ultimamente,  baseados na premissa de que a vantagem no uso dessas máquinas estaria apenas no aproveitamento da sua velocidade em aproveitar (arbitrar) pequenas diferenças de preço,  mesmo operando grandes lotes.


Boa parte da explicação para o estranho, incessante e ilógico giro de grandes lotes estaria por ai:  seriam os  robots operando seus programas e muita gente tentando aproveitar disso,  operando contra ou a favor.


O que, pensando bem,  acaba deixando o mercado com a mesma estrutura essencial de sempre...