27 de maio de 2018

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2018

Volume 18  Edição  827

A  HISTÓRIA  SE  REPETE  ?

Crise econômica e política


Em 1989,  a primeira eleição direta para a Presidência do país,  após o período militar,  era disputada por 22 candidatos para o primeiro turno,  com uma rara ausência de coligações entre os principais partidos,  cada um apresentando o seu próprio candidato.

Ao fundo,  havia uma inflação galopante,  após o fracasso de alguns Planos (Cruzado,  Verão), desestabilizando a economia e a própria vida social.

O resultado foi a vitória de um candidato de pequeno partido, a imposição do rigoroso Plano Collor (amplamente aprovado pelo Congresso eleito...), a queda de 3% na evolução do PIB em 1990 e o mais que se seguiu,  inclusive o impeachment...

Em comparação,  a situação atual é melhor do lado econômico,  mesmo depois da gestão calamitosa de governos populistas e de uma grave crise financeira internacional em 2008: o Plano Real e algumas leis de organização fiscal conseguiram domar a inflação, um período favorável de comodities liquidou a dívida externa e deixou polpudas reservas, restando ao país fazer reformas para recuperar uma melhor saúde fiscal e melhorar a eficiência e a produtividade da economia, trazendo de volta os emprêgos perdidos.

Do lado político, a situação é bem pior, os Três Poderes conseguiram chegar a um alto grau de desmoralização, perdendo totalmente a confiança da sociedade e a perspectiva das eleições nãotraz a proposição de soluções viáveis para que os impasses sejam resolvidos.    Como consequência, o quotidiano das regiões metropolitanas fica caótico, com a proliferação do crime, da violência e a desorganização progressiva dos serviços públicos.

Há 50 anos, na França e em outros lugares, conjunturas semelhantes ensejaram revoltas e apelos à anarquia...Há 120 anos,  na mesma França,  já tinha acontecido revolta social parecida.

Um dos pilares da análise técnica é a noção de que a história se repete,  a sociedade e o mercado tendem a reagir da mesma maneira em situações semelhantes.

Quase dois anos e meio de alta no Ibovespa revelaram a antecipação do resultado de bons sinais de recuperação trazidos por um novo governo que se formara, confiança que superou tropeços consideráveis,  mas que agora começa a dar lugar a temores,  na medida em que a  economia parece ter estacionado, as reformas não prosseguiram e não se sabe o que virá com as eleições.

Talvez a história não se repita,  mas o cenário atual pode ser perigoso para o mercado,  como examina o artigo da página seguinte.