22 de julho de 2018

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2018

Volume 18  Edição  832

A  TEMPORADA  DE  RESULTADOS

A greve deve pesar


A cada dia,  novas estatísticas econômicas vão sendo divulgadas demonstrando os graves efeitos da greve dos caminhoneiros,  ocorrida em maio último.


Indústria,  comércio,  serviços, quase todos os setores apresentam sinais da crise, levando todas as projeções até então mantidas  a serem reduzidas para pior,  inclusive as oficiais do governo e as internacionais, de bancos e até as do FMI...


O Índice de Atividade Econômica do Banco Centreal (IBC-Br) recuou 3,4% em maio na comparação com abril e 2,90% em relação a maio do ano passado;  este Índice é considerado uma prévia informal do PIB que é divulgado pelo IBGE e serve de ferramenta para a definição da taxa básica de juros (Selic) pelo Copom.


A realidade que se pode constatar é que o bloqueio das estradas e do abastecimento em geral acabou por paralisar as atividades econômicas em geral,  cujo ritmo já havia diminuído em função da perplexidade gerada pela situação indefinida da política e da perspectiva eleitoral.


Como escrevi aqui recentemente, a situação fiscal nem é tão ruim quanto se propaga,  em decorrência da aprovação de algumas poucas reformas (limite de gastos públicos, reformas trabalhista) e da derrubada gradual dos juros,  que estão aliviando efetivamente o caixa do governo.   O bom comportamento da balança comercial e mesmo do fluxo cambial também são itens positivos na análise da conjuntura.

A temporada de resultados que está em vias de começar,  mostrando balanços do segundo trimestre deve trazer um retrato inicial dos efeitos provocados nas companhias abertas justamente em maio e junho,  no auge da crise provocada pela greve.


Retrato inicial porque devido às peculiaridades da contabilidade,  a sincronização dos fatos   econômicos com a vida das empresas não é absolutamente linear,  os lançamento de cada momento podem refletir eventos anteriores ou até posteriores,  conforme seja a característica de cada setor.


Por outro lado,  apesar da resiliência da economia brasileira,  tradicionalmente veloz em seus ajustes, tudo indica que os efeitos da crise vão ser produzidos por algum tempo mais, na incerteza pré-eleitoral e na ausência de fatos novos que provoquem súbitas mudanças.


Tudo isso conduz a que sejam os resultados de junho analisados com extrema cautela.