24  de março de 2019

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2019

Volume 18  Edição  864

O  TRIMESTRAL  DO  SETOR  ALIMENTOS

 

Lutando com condições desfavoráveis

No 4º trimestre de 2018, o setor Alimentos, começou a ver alguma luz no fim do túnel, colhendo alguns resultados positivos no seu enfrentamento de um difícil ano:  greve dos caminhoneiros e  incertezas políticas internas,protecionismos em importantes mercados importadores, queda internacional nos preços do açúcar (superprodução na Índia),  aumento nos preços do trigo e outros grãos (custos de difícil reposição via preços internos).

Evidentemente, as companhias que aqui representam o setor,  trabalharam duro para lidar com essa conjuntura desfavorável.

A BRF,  com nova administração,  ainda sofreu restrições à exportação para a Europa (Operação Trapaça),  mais imposições de tarifas na China e dificuldades técnicas com a Russa.   A resposta foi uma forte operação de venda de ativos,  aqui e no exterior, com a desativação de algumas linhas de abate no Brasil,  férias coletivas e expressiva redução de estoques,  além de ações executivas de gestão da dívida.   As cifras operacionais ainda pioraram no último trimestre,  como mostra o quadro ao lado (sempre cumulativo de 12 meses),  mas já foram claros sinais iniciais de reversão de tendências

A COSAN, que tem cifras mais regulares, lidou com uma quebra de safra interna, de um lado, e queda do preço internacional do açúcar outro lado (Superprodução na Índia),  além da redução dos negócios da sua operação na Argentina.   Intensificando o

controle de custos e a produtividade,  manteve um bom desempenho e alcançou nova redução no endividamento,  que não é tecnicamente elevado.

A M.Dias Branco,  que no ano adquiriu 100% do grupo Piraquê, do Rio de Janeiro,  teve como problema importante a disparada no preço internacional do trigo, sua principal matéria prima,  sacrificando as margens operacionais,   que se apertaram um pouco.   Mesmo assim,  manteve números regulares, reduzindo bastante o seu endividamento (já bem pequeno) e aumentando sua participação nos mercados de biscoitos e de massas.

Se o crescimento lento da atividade econômica no Brasil não permite ainda a expansão da demanda interna a níveis normais,  a exportação vai conseguindo ultrapassar muitos obstáculos e conservar mercados conquistados.

A política externa e a cambial são fundamentais para o setor.