10 de junho de 2018

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2018

Volume 18  Edição  829

A  BAIXA  ANUNCIADA

Ataque especulativo


A greve dos caminhoneiros,  pela intensidade dos efeitos que provocou na vida brasileira, e
por ser este um ano eleitoral, tem o condão de abrir um vasto debate sobre a nossa realidade,  dando a todos a oportunidade de refletir bem sobre nossos rumos.

Cedendo aos grevistas, o Estado (considerados os três poderes...) não consegue implantar a satisfação das exigências,  como não teve como impedir as ilegalidades dos bloqueios de abastecimento, como é  incapaz de propor o impasse dos preços da Petrobrás, como não encontra solução para o problema fiscal resultante, etc.etc.

Com a proximidade das eleições,  o natural seria que a sociedade,  através das três dúzias de partidos registrados e quase outro tanto de candidatos à  presidência,  apresentasse suas      idéias para a solução desses graves problemas.

Não aparecem idéias,  o que torna sombrias as perspectivas.    Daí, o medo e a desesperança,  a queda da Bolsa e a alta do dólar.

Com um cenário desses, é fácil operar ataques especulativos, as manobras para lucrar com a baixa, vendendo a descoberto e pressionando as cotações, provocando o pânico de vendas.   

É o que esteve acontecendo nesta semana.  Aliás,  quem acompanha a mídia internacional,  já vinha notando uma prévia disso nas declaraçóes de profissionais profetizando a derrubada dos mercados emergentes.

Tecnicamente, uma segunda sub onda da Onda V do Ciclo já estava em curso desde fevereiro último (Edição 827, DE 27/05) e segundas ondas costumam evoluir nesse tipo de clima, podendo devolver até 99% da alta anterior...

Uma pequena pausa no Verdades&Mentiras.   Voltarei em 8 de julho.

Apesar de tudo, a situação econômica do Brasil é melhor do que há dois anos e pouco,  quando a alta da Onda V começou:  parte das expectativas fortemente antecipadas pelo mercado se confirmou,  com a queda da inflação,  dos juros, a saida da recessão, a aprovação das primeiras reformas,  a proposição de outras.

A política se radicalizou e impediu que o  movimento positivo prosseguisse,  mas não foram desfeitas as conquistas obtidas.   Por exemplo, as reservas cambiais estão intactas,  a balança de pagamentos segue tranquila,  não houve expansão desmesurada de meios de pagamento, a expansão do déficit fiscal e da dívida pública ainda estão em estado controlável.

Assim,  não há fundamento para o pânico no dólar: a alta na Bolsa foi exagerada,  os estrangeiros vêm batendo  recordes de vendas e possivelmente estão comprando dólar por susto ou por manobra...

Há reformas por fazer,   especialmente a da Previdência,  mesmo uma reforma preliminar, que pode dar uma folga no caixa para que o mais seja feito com calma.

Cabe à sociedade escolher representantes que possam dar conta dessa tarefa inadiável,  fugindo da conversa ôca da turma atual,  já bem conhecida e rejeitada, e sem cair na esparrela de acreditar em milagreiros e salvadores da pátria,  amigos dos pobres e desvalidos...

É difícil,  sabe-se disso, mas temos que  tentar fazer4 o melhor possível,  até porque não há outra solução nem quem possa fazer isso por nós.