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Um
semestre nem é tanto
em matéria de longo prazo, que é o alvo que deve predominar
na Bolsa, mas o exame dos melhores/piores
desempenhos do semestre pode ajudar a compreender quais foram
as tendências seguidas e quais as perspectivas.
O lucro líquido para 2009 foi estimado simplesmente
multiplicando por 4 os resultados dos últimos 3 meses.
Entre as melhores temos 3 imobiliárias, 2 siderúrgicas,
um grande banco, uma empresa de varejo e a BVMF. Como
a maioria dos ativos, estes também repicaram de longa e
severa baixa, conseguindo uma boa recuperação.
De certa forma, são todas um reflexo do consenso que tem
prevalecido no mercado, de forma um pouco imprecisa e vaga: há
vínculos superficiais óbvios entre essas empresas e o
mercado interno, que nossos "sábios" decretaram
teria uma recuperação rápida, já que as exportações não
passam de uns 15% do PIB. Porisso, o
entusiasmo com as imobiliárias (mesmo que o tal Novo Plano
Habitacional seja mais para as classes de baixa renda e sequer
esteja até agora em execução e de contabilidade complicada
e irregular), com as siderúrgicas (mais pelo p/l muito
baixo que atingiram, já que são diretamente afetadas pela
crise, do que por horizontes promissores...) e ainda com o
setor de comércio (sempre endeusado, mas sempre
decepcionante). O Banco do Brasil, que apareceu na
lista e teve alguns resultados melhores e talvez não passíveis
de repetição, foi procurado pela possibilidade |
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de se
beneficiar da propalada
expansão do crédito com recursos oficiais.
Na lista das piores, temos 3 teles, 2 elétricas, uma
concessionária de gás, uma montadora de aviões e uma empresa de
papel e celulose. É uma lista curiosa, pois se
havia o consenso de priorizar quem estivesse vinculado ao mercado
interno, quem melhor do que as concessionárias em geral,
tradicionais boas pagadoras de dividendos ? A Klabin, da mesma
forma, está intimamente ligada à evolução do PIB,
mas andou com prejuízos. A Embraer é tida apenas como
exportadora, o que é uma verdade parcial. Naturalmente,
nenhum desses ativos conseguiu consolidar um repique juntamente com
os demais.
A análise que consta do quadro acima é pouco profunda e
não investiga fatores específicos ou passageiros que podem ter
afetado a performance em Bolsa: por exemplo, a conclusão da
fusão do grupo Oi com o BRT, que pode ter afetado a Telemar e
a Tmar, etc.
Mesmo assim e visto desse ponto de vista amplo, não se
encontra fundamentos ou sustentação técnica e lógica para as
escolhas que o mercado fez no semestre, que parecem ter sido
meros oportunismos e muito "Maria-vai-com-as-outras":
gestores compram/vendem o que pensam que os outros estão
comprando/vendendo, procurando a falsa segurança de acertar
ou errar com a maioria...
Não havendo fundamento, não há padrão e nada pode garantir
que esse desempenho será mantido nos meses futuros, nem temos
pistas seguras de quais poderão ser as próximas...
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