26 de novembro de 2017

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2017

Volume 17  Edição  803

SETOR  PAPEL  E  CELULOSE

Vencendo a crise


O mercado considera que o setor de papel e celulose vem conseguindo atravessar os anos de crise sem muitos solavancos.  Segundo matéria do Estadão, a produção de celulose cresceu 8,1% em 2016 e a de papel e a de embalagens caíram relativamente pouco - 0,2% e 0,6%, respectivamente. O ano passado não foi dos piores também para quem foca o mercado externo: o dólar médio de R$ 3,49 beneficiou as empresas exportadoras, mas elevou os custos, reduzindo suas margens. No geral, o segmento vem conseguindo se manter em crescimento. 

Acredita-se que este desempenho deve-se principalmente à aposta em inovação.     Há alguns anos que as principais empresas do setor começaram a investir em modernização, ampliação da área de plantio e da capacidade de produção. Os investimentos, de  aproximadamente R$ 110 bilhões em cinco anos, sendo R$ 13 bilhões só em 2016, colaboraram para um grande salto de produtividade e competitividade. A redução de custos é vista como o segundo impulsionador de crescimento mais forte, com fusões e aquisições em terceiro lugar e alianças na quarta posição.

O desempenho calcado nas exportações se manteve nos 3 principais segmentos representados pela entidade - celulose, painéis de madeira e papel -, mesmo com a valorização do real em 25% ao longo de 2016. O bom volume registrado pelas exportações contribuiu para que a balança comercial do setor fechasse o ano com resultado positivo de US$ 6,6 bilhões (+2,4%).

Apesar dos resultados, as perspectivas ainda são cautelosas. Por conta do cenário econômico ainda desafiador,  acredita-se que o setor industrial de papel e celulose ainda deverá sofrer com a redução na demanda nacional do consumo de diversos tipos de papel, principalmente dos utilizados na produção de embalagens. Serão impactados também os pedidos de papel para fins sanitários e de imprensa (papéis para imprimir e escrever), estas devido à retração do nível de emprego e da massa salarial.

Dados da Lafis (Latin American Financial Investment Services), em termos de produção, preveem um aumento de 3,5% em 2017, o que potencialmente levará o Brasil do quarto para o segundo lugar em produção mundial de celulose já no início de 2018, ultrapassando Canadá e China e ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

O setor está num momento de expansão no comércio com os países nos quais já atuava. Até meados de 2018, o Brasil passará a produzir mais 5,5 milhões de toneladas de celulose.   A China passou, desde julho de 2016, a ser o principal destino do insumo brasileiro, ultrapassando os países europeus. Entre 2013 e 2016, o país asiático saltou de 30% para 39% em participação no valor das exportações, atingindo no último ano um volume de US$ 2,1 bilhões.

A forte alta a partir de 2016, deixou os múltiplos de P/L relativamente altos para os principais papéis,  pela preferência revelada pelo mercado,  que foi precificando com antecedência as perspectivas futuras,  identificadas com maior clareza do que talvez em outros setores.    As margens ainda estão apertadas e a rentabilidade baixa,  mas as expectativas têm estado bem altas.