VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

5 de julho de 2009

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2009

Volume 9  Edição 443     

AS  MELHORES/PIORES  DO  SEMESTRE

Um semestre nem é tanto  em matéria de longo prazo, que é o alvo que deve predominar na Bolsa,  mas  o exame dos melhores/piores desempenhos do semestre pode ajudar a compreender quais foram as tendências seguidas e quais as perspectivas.


O lucro líquido para 2009 foi estimado simplesmente multiplicando por 4 os resultados dos últimos 3 meses.


Entre as melhores temos 3 imobiliárias, 2 siderúrgicas,  um grande banco, uma empresa de varejo e a BVMF.   Como a maioria dos ativos, estes também repicaram de longa e severa baixa,  conseguindo uma boa recuperação.  

 
De certa forma, são todas um reflexo do consenso que tem prevalecido no mercado, de forma um pouco imprecisa e vaga: há vínculos superficiais óbvios entre essas empresas e o mercado interno, que nossos "sábios" decretaram teria uma recuperação rápida, já que as exportações não passam de uns 15% do PIB.   Porisso,  o entusiasmo com as imobiliárias (mesmo que o tal Novo Plano Habitacional seja mais para as classes de baixa renda e sequer esteja até agora em execução e de contabilidade complicada e irregular),  com as siderúrgicas (mais pelo p/l muito baixo que atingiram, já que são diretamente afetadas pela crise, do que por horizontes promissores...) e ainda com o setor de comércio (sempre endeusado, mas sempre decepcionante).   O Banco do Brasil, que apareceu na lista e teve alguns resultados melhores e talvez não passíveis de repetição,  foi procurado pela possibilidade 

de se beneficiar da propalada expansão do crédito com recursos oficiais.


Na lista das piores,  temos 3 teles, 2 elétricas, uma concessionária de gás, uma montadora de aviões e uma empresa de papel e celulose.   É uma lista curiosa,  pois se  havia o consenso de priorizar quem estivesse vinculado ao mercado interno, quem melhor do que as concessionárias em geral, tradicionais boas pagadoras de dividendos ?  A Klabin, da mesma forma,  está intimamente ligada à evolução do PIB,  mas  andou com prejuízos.  A Embraer é tida apenas como exportadora,  o que é uma verdade parcial.   Naturalmente, nenhum desses ativos conseguiu consolidar um repique juntamente com os demais.


A análise que consta do quadro acima é pouco profunda   e não investiga fatores específicos ou passageiros que podem ter afetado a performance em Bolsa:  por exemplo, a conclusão da fusão do grupo Oi com o BRT,  que pode ter afetado a Telemar e a Tmar, etc.


Mesmo assim e visto desse ponto de vista amplo,  não se encontra fundamentos ou sustentação técnica e lógica para as escolhas que o mercado fez no semestre,  que parecem ter sido meros oportunismos e muito "Maria-vai-com-as-outras": gestores compram/vendem o que pensam que os outros estão comprando/vendendo,  procurando a falsa segurança de acertar ou errar com a maioria...


Não havendo fundamento,  não há padrão e nada pode garantir que esse desempenho será mantido nos meses futuros,  nem temos pistas seguras de quais poderão ser as próximas...