9 de dezembro de 2018

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2018

Volume 18  Edição  852

GUERRA  COMERCIAL,  O  PRETEXTO

Desculpa para especular


É claro que há uma política de governo nos Estados Unidos,  visando enfraquecer muitas regulamentações e tratados internacionais multilaterais (ONU, OMC, UNESCO etc),  onde muitas decisões podem ser tomadas por voto universal e desse modo,  podendo fazer predominar a maioria,  numa votação em que todos são iguais,  grandes e pequenos, fracos e poderosos.


Resolveu-se, então,  que isso contraria os interesses dos Estados Unidos,  que passaram a agir para trazer os assuntos de seu interesse para um forum bilateral,  frente a frente.


Entre os principais temas de interesse está o comércio internacional.


Além da denúncia nos fóruns multilaterais das falhas desse sistema, na opinião dos  americanos,  estes passaram a agir agressivamente em muitas das relações mercantis onde se julgavam prejudicados:  começou ai a "guerra comercial".
Vários incidentes foram ocorrendo,  como aumento de tarifas e medidas judiciais e a China, maior parceira e rival,  também agressiva em suas atitudes,  tem sido o alvo mais frequente.   


Tudo isso, de certa forma,  já havia sido mencionado na campanha eleitoral do pres.Trump,  dentro da sua proposição nacionalista básica.


Os mercados sempre se assustaram a cada lance dessa guerra, exagerando suas possíveis consequências, transformando-a em pretexto útil para especulações, já que a economia em si vai muito bem e não dá muitos motivos para receios.

 

Após mais de nove anos de alta,  estando os mercados forçosamente sobrecomprados, fica mais fácil apostar em temores,  ainda mais quando o tema envolve a China,  um gigante pouco transparente e assim,  pouco conhecido,  o que facilita a divulgação de fake news ou de teorias mais complicadas.


Nesta semana, a penúltima manobra especulativa jogando com medos e esperanças, havia  corrigido baixas com um forte repique, quando os líderes dos dois países concordaram em suspender por seis meses medidas agressivas,  enquanto se estudariam--bilateralmente--os itens específicos de interesse de cada um.       


No dia seguinte,  a dirigente da maior empresa de tecnologia chinesa,  Huawei,  uma das maiores do mundo, era presa em Vancouver, Canadá, a pedido da justiça americana,  acusada de violar sanções impostas ao Irã, segundo processo em curso há meses nos Estados Unidos.


Tudo indica que a prisão ocorreu por acaso ou oportunidade, de forma alheia às conversações que estavam em curso;  a evolução do caso é imprevisível,  mas o impacto inicial nos mercados foi muito forte.


Como temos visto,  os dois gigantes acabam se entendendo,  porém os mercados parecem estar tecnicamente férteis a se deixar impressionar pelas manchetes da mídia.


No médio prazo,  os investidores verão claramente que a guerra não passa de pretexto para manobras,  longe do caráter apocalíptico que lhe tem sido atribuido.