11 de fevereiro de 2018

VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2018

Volume 17  Edição  813

DINHEIRO  DEMAIS...

 

 

Bolhas e bolhas

Meios de pagamento em  circulação, em excesso  relativamente ao ritmo de produção da economia,  acabam gerando desequilíbrios em muitos mercados.

Por exemplo,  a imensa quantidade de ouro, prata e pedras preciosas extraídos do Novo Mundo, em seguida às descobertas,  inundaram a Europa nos séculos XVI e XVII,  provocando gigantesca inflação,  ao fazerem disparar os preços dos bens e  serviços em geral,  até que a oferta conseguisse se equiparar à demanda.

Nos séculos XVII e XVIII,  o desenvolvimento da emissão de papel moeda,  inclusive sem lastro direto de metais preciosos,  gerou bolhas no Velho Continente,  envolvendo imóveis, títulos de renda,  ações e mesmo tulipas...

O caso mais curioso foi um muito bem sucedido lançamento de  ações de uma companhia que exploraria "um negócio muito bom, mas que não pode ser revelado ainda...", evidentemente uma arapuca sem pé nem cabeça...

O crash de 1929 ocorreu após uma década de permissividade no uso de crédito farto para operar com ações em Wall Street,  como o topo de 1989 em Tokio (até hoje,  não ultrapassado...) foi obtido por excepcional demanda alimentada por contas

subsidiadas pelas corretoras:  quando perdiam,  muitas vezes o prejuízo dos clientes não era cobrado totalmente.

No Brasil, tivemos o episódio do Encilhamento,  no início da República (1891),  quando o  ministro da Fazenda,  Ruy Barbosa, liderou uma grande expansão de meios de pagamento,  que gerou uma bolha em títulos e ações controlada somente em 1902,  quando o governo Campos Salles teve de recorrer até mesmo à queima de papel moeda,  para reequilibrar a economia.

Mais recentemente, os booms de 1968/1971 e de 1983/1986, foram alimentados por enormes massas de recursos compulsoriamente dirigidas à Bolsa,  por leis fiscais (Dec-Lei 157) e pela criação de Fundos de Pensões.

Neste século XXI,  inicialmente para controlar o esvaziamento de um boom em informática e depois para amenizar a crise financeira das hipotecas (já causada pelo caso anterior...),  os governos em todo o mundo despejaram liquidez e juros baixos, numa manobra ainda em curso, da qual muitos países têm dificuldades para escapar...