VERDADES  E  MENTIRAS  DA  BOLSA

29  de agosto  de 2010

Nesta edição:

©Jayme Ghitnick
2001 a 2010

Volume 10  Edição 501

O  DUPLO  MERGULHO

Volta a praga dos urubus

Todos sabem que várias economias,  inclusive a nossa e a americana,  andavam um pouco melhor por conta de diversos estímulos e incentivos providos pelos respectivos Governos;   todos sabem também que essa situação ameaça a situação fiscal,  já enfraquecida pela própria crise,  que diminuiu as atividades locais e as internacionais e que,  portanto,  não poderia ser sustentada por tempo muito longo;  quando suspensos os estímulos,  a atividade apoiada por eles naturalmente sofre um decréscimo, como aconteceu aqui com as vendas de automóveis e agora,  nos Estados Unidos,  com as vendas de imóveis.

Apesar disso,  os urubus de carteirinha (stiglitzes, roubinis, krugmans etc.), escondidos habilmente quando as notícias são melhores,  voltam correndo a bater suas asas negras e tentam assustar de novo com sua teoria de que teremos ainda uma segunda fase de recessão, talvez até mais séria do que a primeira,  constituindo o duplo mergulho ou "double dip".    Isso, naturalmente é possível,  mas certamente não é nem de longe tão inevitável como reza essa praga dos urubus...

O argumento mais óbvio contra esse terrorismo é o fato de que os governos mundiais e os próprios mercados,  por mais que possam receber as mais azedas críticas por terem criado e permitido que a primeira fase da crise acontecesse,  foram relativamente rápidos e eficientes para evitar que ela se tornasse uma crise "tão séria ou pior que a de 1929/1933",  como foi o palpite dos nuvens negras...Agora,  quando muitas das correções e ajustes foram feitos e começam a funcionar,  não há porque não acreditar que seja pouco provável o tal

mergulho duplo, mais fácil assim de ser evitado.

As cifras e estatísticas se sucedem e alimentam o pêndulo das especulações de curtíssimo prazo: nesta semana mesmo,  começou-se com euforia,  motivada por uma nova febre de fusões e aquisições, sempre sinal de confiança no futuro e logo retornou-se a um pessimismo extremo,  com a óbvia queda nas vendas americanas de imóveis.

É nesse cenário que os urubus sempre tentam alçar voo e espalhar sua profecias trágicas:  por trás disso,  vontade de aparecer,  de ser diferente,  para lucrar com o "eu não disse?'  nos poucos itens de acertos (afinal, já rendeu dois prêmios Nobel, desmoralizando esse troféu...) e para se beneficiar da eterna memória curta do público,  que não lhes cobra a maioria de palpites não confirmados.

Para quem está acostumado com mercados e com análise técnica,  vem logo à mente, a propósito,   o padrão clássico das correções,  bem definido por Elliott,  que são compostas por duas pernas de baixa e um repique intermediário;  é inclusive a fase do Ciclo que estamos atravessando no Ibovespa e em muitos outros mercados. 

Até para fazer sentido com essa análise,  é de se imaginar que esta segunda perna de baixa não seja tão rigorosa quanto a primeira,  justamente por ser a baixa seguinte, a Onda IV que vem depois da Onda II...

Pela teoria,  tão boa como outras,  Ondas IV são mais suaves e laterais,  geralmente assumindo forma triangular e servindo de plataforma de lançamento da Onda V de alta,  que esperamos seja um quinquênio de grandes ganhos de preço para as  ações em geral.